Ouviu-se o toque, lá fora saia tudo a correr para apanhar os
autocarros, mas havia alguém que não precisava de ir a correr, uma bela jovem,
que tinha os seus cabelos como o sol, seus olhos castanhos como estrelas
cintilantes, mas que ao de longe via-se uma tristeza sem fim .
Adorava observar aquilo
que ia além do possível.
Naquele dia, a noite já se
tinha colocado, as mais bonitas estrelas já estavam no Céu e não lhe apeticia
fazer nada, longe de tudo e de todos, decidiu ir para o meio do parque cheirar
as pequenas flores.
Sem dar conta, começou a
andar à deriva por entre as ruas. E quando deu por si, estava junto a casa onde
passada a maioria das suas tarde.
Nesse mesmo segundo, á sua
frente lá estava ele, aquele rapaz por quem sonhava todos os dias. O tempo
parecia ter parado, ninguém se mexia, ambos ficaram imoveis até que ele se
dirigiu a ela e pronunciou
um “ola” tímido. “Há quanto tempo” comentou ela, surgindo um súbito silencio, de modo,
que passado alguns segundos o silencio quebrou-se com uma simples
afirmação “não foi a muito”, “ queres entrar? “ ela baixando a cabeça com
um olhar infinitamente triste disse-lhe ”talvez
seja melhor ir andando” mas ao observa-la disse-lhe já com ternura na voz “ não vás, entra.” Movida pela saudade indecifrável ela
aceitou.
Ainda recordava o travo da
boca dele, a forma como consumia os seus lábios com paixão, a maneira como a
mão dele viajava pelo seu corpo, até que, com ardor, visitara o recorte das
suas ancas. À medida que fechava os olhos, era como se tudo viesse à
memoria os lábios sedentos dele a colocarem-se em fogo aos mamilos rosados, com as mãos em concha,
segurando nos seios. A forma como tocou no seu pénis pela primeira vez, de o
acariciar com a língua e de se terem amado ali.
Mas Já no quarto, ambos
olharam intensamente indo ao encontro um do outro como desde a primeira vez, e
tudo aconteceu novamente, quando ela, sentiu ao rosto o hálito quente dele
reconheceu o mesmo jeito suave de pousar os lábios nos seus, aconchegando-se no
seu colo e beijando-o novamente, os dois corpos juntaram-se com o mesmo desejo,
excitados com o mesmo ardor de outrora.
Quando deram por si,
estavam deitados ao lado um do outro, explorando-se um ao outro com lábios
molhados. Os dedos dele despindo-lhe o vestido, as mãos dela despindo-lhe as
calças. Ele entrou dentro dela com ímpeto, contemplando-a como da primeira vez.
Juntos e unidos num
gemido, um orgasmo arrebatou-lhes o ser e tornou-os mais uma vez num só.
Abraçados, permaneceram em
silêncio o resto da noite.
Os sonhos conseguem tudo,
menos a vida real...
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